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sannyellen (November 30, 1999 at 12:00 am)
Sou de uma terra que o povo padece,
mas não esmorece procura vencer,
dá linda cabocla de riso na boca
zomba no sofrer,
não nego meu nome, não nego o meu sangue, olho pra fome pergunto: o que áh?
sou filho da terra, sou cabra da peste, sou do ceará...
Patativa do assaré.
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
singela homenagem ao meu conterrâneo, saudoso patativa, do tempo em que eu era poeta... do fim para o começo ou do começo para o fim, 'no sangue nordestino do homem ou do menino a saudade da terrinha é que corre corta e fere'
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
XV-
Meu poeta Patativa
Sua voz é a do sertão
De tanta gente sofrida
Abandonada esquecida
Brasileirosnordestinos
Sangue nobre da nação
Meu poeta Patativa
Saio da sua presença
Como um filho agradecido
Fazendo último pedido
Se não for encarecido
Que o Sinhô me dê a bença
Antonio E. R. Siqueira
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
XIV-
Quando dela eu me perdia
A você eu encontrei
Reencontrei a poesia
Dei à vida um sentido
E de cada dor sofrida
Fiz a minha fortaleza
Não me envergonho ao falar
Que não pude me conter
E me permiti chorar
Pois foi como ser tocado
Pela própria divindade
Por meu Senhor nosso Deus
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
XIII-
Antonio que é Gonçalves
Que da Silva também é
Sua voz me fez chorar
Seu canto me fez chorar
Sua vida me fez chorar
Patativa do Assaré
O poema da infância
Que você bem recitou
Despertou-me na lembrança
O meu tempo de criança
Em que a bondosa esperança
Desfilava seus favores
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
XII-
Antonio meu Patativa
Agora sim vou contar
Que em uma tarde fria
Não sei se morta ou se viva
Minhalma muito sofria
Como não sei explicar
Parecia que o peito
Não se ia agüentar
Batia de qualquer jeito
Lento ou veloz ou a esmo
Ora apagado ora aceso
Quase querendo gritar
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
XI-
Com grande felicidade
Recebi essa notícia
E tão logo foi lançada
A obra tão esperada
Eu não me fiz de rogado
Fui correndo às livrarias
Ei-lo O Poeta do Povo
Mostrado em fotografias
Já ouvindo muito pouco
Sem visão pra ver as flores
Pois venceu com muito esforço
Quase um século de vida
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
X-
Mas ainda vou falar
Da ação que precedeu
O instante singular
Em que me fiz revelar
Ante a luz crepuscular
Como nunca aconteceu
Em data já esquecida
Li na imprensa paulistana
Que agraciado seria
Meu poeta Patativa
Com outra biografia
Escrita por Assis Ângelo
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
IX-
Mesmo no melhor juízo
Sobrevinha a indagação
De querer saber por fim
Se era mesmo este o caminho
Mais correto a ser seguido
Pelo meu bom coração
Sem demora sem aviso
Sem nenhuma cerimônia
Essa dúvida crescia
Hora a hora dia a dia
Eis que em uma tarde fria
Cabô dúvida medonha
ozforever10 (November 30, 1999 at 12:00 am)
VIII-
Era uma judiação
Receber a poesia
Nascida do coração
Retratando ora a paixão
Ora o amor sem condição
E torná-la tão mesquinha
Foi tão difícil escapar
Das garras do vil orgulho
Do luzeiro das vaidades
Das tolas vãs veleidades
Que pouca era minha idade
Hoje sou homem maduro |